psicodélica(s)mente(s)nublada(s)

do barulho grafite,

do lápis em papel branco-amargo

surgi em ensaios,

antes feitos para que produção flua plena,

como mosca que plana indiferente.

na palavra alheia não sinto o conforto.

forço-me a sentir prazer,

transferindo-me através das marcas no papel.

fingem não escutar/ver/sentir o que dentro não silencia,

mas essa ruptura o fará.

pouco me importo com convenções,

tabus,

preconceitos.

 o que move a insistência é o vício,

de ouvir a caneta correndo,

inutilmente,

por essas bigas de celulose,

que forçam-na à inércia.

não sinto a compleitude no próximo...



Escrito por vinícius breves às 15h35



...rompo com esse texto asmático arcaicamente irritante.

caminha agora como fluxos intestinais.

nada cômico.

as vísceras pulsam,

em contraste à imagem,

que derrete em sua insuportável paz fumacenta,

o que em inutilidade nos inebria.

aqui,

estranhamente bate um coração.

não como bateria de escola de samba,

mas como o berro explodindo do peito do homem-cangaço antes da morte.

saúdo minha revolta,

inaugurando novo evento.

sou habitante da terra-sertão,

poeticamente,

violenta-seca

sinto necessidade de gritar equívoco e unir idéias.

começou a chover.



Escrito por vinícius breves às 15h34



intertexto presente

inaugurado novo evento,

(vide vaca “derretida”)

agora posto em pratica.

abre-se uma janela

na casa escura do meu íntimo.

o que percebo é claridade,

ocasionada pela mudança no cotidiano,

essencialmente visceral,

que desgasta, amedronta.

através dela vejo outro horizonte,

algo de um colorido indolor,

agradável.

agora?

sonhos em um mosaico

dinâmico e inconstante.

findo maiores obstáculos.

(texto fruto dessa vida corrida-cotidiana-esmagadora,

agora iluminada por vaga-lumes falantes)



Escrito por vinícius breves às 11h04



.: cu :.

do discurso clichê ao excremento.

assim vejo-me no escrito.

que escatológica evolução.

no eu que escreve,

vejo características da imaturidade.

uma necessidade de se auto-modelar,

adequar-se ao que o outro espera, quer.

ou será esse outro o desconhecedor das leis do bom convívio?

as grafites marcas, deixadas no papel, fedem.

me sinto nojo.

me vejo só.

diante das minhas limitações apenas existo pequeno,

e vou resistindo a uma vida que me castra pela mente.



Escrito por vinícius breves às 09h54



sou alguém óbvio

depois da agonia,

vejo explicações em melodia.

percebo que a angústia surge

quando me distancio daqueles momentos ociosos,

que, através de folhas amassadas por rabiscos,

transpirava.

sinto-me leve, para viver essa vida tão igual.

já faço planos sabendo que não serão.

pessimismo?

o que farei quando não for sonho?

praia, mar, pôr-do-sol, cacos de felicidade perdidos na areia.

brincar de poeta, esquecer o que quiser.

talvez esperando que um dia,

em canções perdidas de bar,

nos encontremos,

e sem necessitar de tanta poesia,

poderemos tentar felicidade.

o que achas?

será um retorno a outros tempos

ou um mero acesso de nostalgia?

acreditas em promessas?



Escrito por vinícius breves às 23h22



.: nada de novo :.

na reconquista da continuidade,

latente-processo-sofrido.

maiúsculas ainda chateiam.

enfim, um novo lugar.

respirada nova tranqüilidade,

maresia pra dentro da cabeça.

dia-dia mais dinâmico,

com as palmas ainda marcando o samba

no inconsciente do indivíduo,

que há muito sem o odor dos rabiscos,

(gosto insensato da loucura)

percebia nada de novo



Escrito por vinícius breves às 10h38



eles não querem valorizar meu ócio

não há no crânio.

da escuridão brota sangue que lambe a realidade.

tortura, dor, sofrimento...

atraentes aos olhos cruéis,

que brancos tornam-se,

enxergando um ventre,

que aberto em feridas,

mostra toda a podridão,

interna aos mesmos.

vísceras-secas-pretas-mortas

saltam do corpo ao nojo.

tudo levita em um baile macabro

em homenagem à satã.

louvemos a morte



Escrito por vinícius breves às 10h02



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